ETC E TAL
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PRIMEIRO PLANO

 

A frase deu brado. Caiu mal! Mas se a maioria dos portugueses não gostou de ser considerado como foi, ainda há quem concorde com a “tirada” do primeiro-ministro. Mas…

 

 

 

 

 

Será que os portugueses

são… piegas?

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

As palavras do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, pedindo aos portugueses para deixarem de ser “piegas”, originaram uma onda de críticos comentários por parte de personalidades dos mais diversos quadrantes políticos.

O “Etc e Tal” tentou contactar, entre outros, alguns eurodeputados, mas deles, teve uma antipática nega, ao não responderem sequer ao convite por nós formulado e destinado a saber se nós, “portugas” somos ou não piegas.

Entretanto, outros convidados não se furtaram à opinião. Disseram de sua justiça e, na íntegra, revelamos, relevando, as suas opiniões. Mário Nogueira (secretário-geral da FENPROF), Júlio Couto (historiador, o Padre Mário Oliveira, a professora Maximina Girão, e os nossos colunistas: Maria de Lourdes dos Anjos e José Manuel Tavares Rebelo (ambos ex-professores).

 

De recordar que as palavras de Pedro Passos Coelho foram proferidas no passado dia oito de fevereiro, numa escola de Odivelas, aquando do 40.º aniversário do estabelecimento, onde Passos Coelho lecionou

“Temos de ser mais ambiciosos e exigentes com o ensino, com a investigação e com as empresas”, assim sendo, “os portugueses têm de ser menos piegas e serem mais exigentes. Só assim pode ser possível credibilizarem as condições para superar a crise”, disse.

 

 

 

 

Mário Nogueira (*)

 

 

É minha opinião que os portugueses, de uma forma geral, não são piegas. São corajosos, reivindicativos, determinados, por vezes demasiado adaptáveis a situações que os penalizam, mas sempre procurando uma saída.

Contudo, reconheço que, como em qualquer situação, são precisamente as exceções que fazem a regra e, portanto, nada mais natural do que haver piegas no meio de nós. Tenhamos em conta o que refere o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que pode ser consultado online, e logo nos lembramos de alguns exemplos. Vejamos pois:

 

- Lamechas: temos o cidadão Cavaco Silva. Como outros portugueses, sente que o dinheiro não lhe chega para as despesas do mês e, então, não faz a coisa por menos e vai com lamechices (lá está, armar-se em piegas) para as televisões;

 

- Assustadiço: temos o cidadão Passos Coelho. Assusta-se só de pensar que a troika pode levar a mal o protesto dos portugueses contra os sacrifícios que os sufocam e, então, atira-lhes para cima com mais austeridade… fica mais sereno quando, por isso, a Senhora Merkl lhe pisca o olho do outro lado da mesa;

 

- Muito sensível: temos o cidadão Álvaro Santos Pereira. Veio do Canadá para integrar o governo da troika e agora, sempre que faz asneira – e faz muitas vezes – julga que o acusam por ter sido emigrante. Nota-se, na verdade, uma sensibilidade exacerbada que até o torna irritadiço… valem-lhe os pastéis de nata;

 

- Que se prende ou preocupa com pequenas coisas: temos a cidadã Assunção Cristas. Já mandou tirar as gravatas para poupar energia. Quem sabe se, chegando a primavera, manda toda a gente vestir t-shirt e calções, para além de calçar sandálias evitando, assim, que transpirem… isso permitirá poupar em sabonetes;

 

Refere o dicionário que a palavra tem “origem obscura”… ora aí está, é como a política da troika…e a troika… e a política do governo. E as voltas ao mundo do ministro que, avesso à comunicação social, acaba por andar sozinho, incógnito, sem que nós, os concidadãos, saibamos por que portas entra e com que companhias anda… corre o risco, até, de cair no esquecimento.

 

Isto para concluir que considero natural que o Primeiro-Ministro use esta e outras expressões, pois os contextos – o ambiente – moldam muito a personalidade dos sujeitos.

Recordemos, por exemplo, Mogli, o menino-lobo que saltava de árvore em árvore, corria a quatro e era amigo de Baloo… ora, estando o nosso Primeiro-Ministro rodeado de piegas acho natural que tenha usado a expressão devendo os portugueses ser compreensivos e perceber que não foi para os ofender.

 

Em suma, como diria o professor Marcelo, o PM disse mas podia não ter dito; se calhar não devia ter dito, mas não tem mal que dissesse; não ficou bem ao PM, mas também não ficou mal, antes pelo contrário…”

 

 

(*) Professor e Dirigente Sindical.

 

 

 

 

Júlio Couto (*)

 

 

Somos piegas no sentido humanista e não no sentido pejorativo. Ninguém anda por aí a chorar pelas portas! No fundo, eles não estão a ser coerentes, até com o corte nos feriados. Que acabem, já agora, com a véspera de Natal! Isto tudo tem que ter limites!

 

 

Nós somos um país com um povo pacífico. Mas, até um dia!

Nós aguentamos, somos um boi da paciência… até um dia!

Um dia, ele passa-se dos cornos e a malta marra!

Isto começa a cheirar a erva seca, o que é uma pena, pois sendo este um País de brandos costumes, e depois ultrapassam-se os limites.

Tenho muito medo que esse dia não esteja muito longe!

Começaram já a mexer com gente que, normalmente, não é muito sossegada… muito calma Falo das altas patentes militares. Já só falta mandá-los emigrar!

 

 

Podemos estar, por uma questão de transição, acomodados, mas não resignados! Tenho medo é disso!

Desde sempre as coisas desde sempre começaram por aqui, pelo Porto, a única coisa que não começou por aqui foi o 25 de Abril.

É miserável estarem a julgar pessoas que roubam um pão e outros, que roubam milhões, andem por aí impunes!

Um dia isto vai dar para o torto!

 

(*)Historiador

 

 

 

 

Mário Oliveira (*)

 

 

“Os comentários que se permitem fazer essa gente ligada ao poder, da população, ou dos trabalhadores, das suas manifestações ou outras ações  são sempre uma anedota… é sempre mais do mesmo! É o atrevimento,… é aquele ar de superioridade,..

Sobre essa classificação (“piegas”), dita lá pelo, oficialmente, primeiro-ministro do governo do Estado – que não é meu primeiro-ministro, porque eu não preciso de nenhum primeiro-ministro -, eu ouvi-o a dizer isso, num ambiente escolar, e, agora, de certa maneira, destacamos isso do contexto e vamos dar uma importância que ele fica todo contente, porque de quem vem, diga isso, ou diga coisas ainda mais disparatadas do que essa, não deve surpreender!

 

 

O que deve surpreender é eles serem governo. O País admite que tenha à sua frente – tenha como governo – este tipo de gente! Isso é que me preocupa! Os crimes que ele – governo! – está a cometer na perspetiva política são tolerados pela população, que votou nele e permite que isto continue… que este regabofe continue! Se calhar porque somos piegas!

O bispo das Forças Armadas já diz que lhe cheira à queda do regime, mas, a mim, já me cheira, desde que este governo tomou posse!

A dupla Paulo Portas - Pedro Passos Coelho não nos leva a lado algum. São “montanhas”, são “montes”… mais nada!

 

 

O que estranho é que quem os pôs lá, ainda os lá aceite… ainda lá os tenha e ainda não os tenha mandado passear! Só porque as pessoas são, oficialmente e institucionalmente, poder, elas podem estar acima das populações?

Alguma vez o institucional pode estar acima das pessoas, que são pessoas concretas… não pode!

Enquanto estão acima, há aqui uma ditadura vital: as pessoas são objetos. São coisas! Só serviram para ir votar… mais nada!

Isto é que é politicamente indecente!

Se aquela maralha que está lá, não é para servir e respeitar as pessoas, como é que as pessoas aguentam?

Isto não tem alternativa enquanto estivermos num sistema de poder, porque o poder nunca é parte da solução dos problemas das populações! O poder é o maior problema!

 

 

O poder, onde estiver, aniquila as populações; dispensa e substitui as populações! Silencia as populações! Goza com as populações!

Como gosto de escreve,r em linguagem mais teológica, o poder é sempre assassino! Ele pode não matar com sangue, mas mata no sentido de tirar a voz, a vez e a oportunidade de impedir que as populações cresçam e assumam os seus próprios destinos.

Quer dizer: se as populações crescerem e assumirem os seus próprios destinos, o poder não tem lugar na sociedade!

Neste sistema de Poder tanto pode estar lá estes como podem estar os que estiveram antes, como os que virão a seguir. Não há saída humana… libertadora!

 

 

Eu não defendo a anarquia. Havendo anarquia há poder! Mudam, as palavras, mas fica a mesma porcaria! Acho que a solução dos problemas das populações tem de ser encontrada numa outra perspetiva.

Estamos já no século XXI e, portanto, temos de nos atrever a sair fora desta paradigma de sociedade assente no Poder e concebermos uma sociedade na base das próprias pessoas. Elas, sim, organizadas, religadas umas com as outras, e todas elas a assumirem os seus destinos, do lugar, da aldeia, do concelho até ao País!

 

 

Tudo o que vier, seja com que linguagem for (“Regionalização”, por exemplo”), que roupagem for, eu digo sempre: mais perversão!

Outra linguagem pode ser mais meiga, mais mansa, mais adocicada, depois de limar as “garras” parecendo veludo, mas o mal ficou lá. Por isso é que o poder político não o deixa de ser sem o apoio da Polícia e do Exército.

Perante um poder armado, o que são as populações?

Zero!

Quando muito podem oferecer os filhos e as filhas para serem funcionários dele… mais nada!

 

 

A humanidade está em vias de criação… de chegar á sua plenitude! É evidente que, até hoje, não se tem trabalhado, nesta proposta alternativa. Todos os intelectuais, mesmo os chamados intelectuais de esquerda, estão todos dentro deste paradigma de Poder – refletem dentro desse paradigma – e, portanto, opinião dentro desse paradigma, onde não há solução… há problema!

O mal é esse!

São intelectuais estéreis, autocastrados, ou o poder castrou-os e eles aceitaram!

Eles deviam ser, isso sim, intelectuais orgânicos. Isto é: religados com as populações a partir de baixo.

 

 

A mudança de paradigma tem de ser global. É pensada e feita localmente, mas articulada em termos globais, se não for, estamos sempre a reproduzir o mesmo!

O sistema do Poder está todo satisfeito, porque ao longo destes séculos todos – desde que houve sociedade organizada -, houve sempre Poder. Até costumo dizer que durante as próximas gerações não teremos capacidades de conceber alternativa, porque os nossos genes estão viciados pelo paradigma do Poder.

 

 

(*) Padre

 

 

 

Maximina Girão (*)

 

 

A frase "os portugueses são piegas", dita pelo PM, Pedro Passos Coelho,, não é mais do que a demonstração de uma forte insensibilidade perante a situação de um povo que se vê, cada dia, mais subjugado por medidas de forte austeridade que não poupam ninguém e só criam mais e mais injustiça.

Os portugueses são piegas por se queixarem da sua situação?

Nem se queixam assim tanto, apesar de serem tão mal tratados.

 

 

Vejo idosos que, depois de uma vida dura, de trabalho intenso, se veem expoliados de direitos adquiridos e "presenteados" com pensões cada vez mais baixas. Serão piegas?

Vejo muita pobreza envergonhada, sem apoios. Serão piegas? Vejo jovens com fome. Serão piegas? Vejo muitos desempregados. Serão piegas?...

Chamar os portugueses de "piegas" é desrespeito, é desconsideração por um povo em sofrimento que não vê salvação nos políticos que tem.

Estamos a ser arrastados para o abismo se não corrermos com "gente" que tão mal nos trata!

 

 (*)professora do ensino superior

 

 

 

 

Maria de Lourdes dos Anjos

 

 

Há umas semanas atrás soube que o meu filho e o meu neto mais velho, quase com 17 anos, tiveram um longo diálogo sobre presente, futuro e opções profissionais.

Soube que a conversa durou muitas e agradáveis horas mas o meu neto ficou baralhado com a decisão que tem de tomar porque o pai lhe disse, entre muitas coisas, que não o via com coragem de partir e deixar os irmãos e os avós.

Seria talvez melhor repensar os “Erasmus” e companhia e ir por cá ficando até  uns crescerem mais um pouco e os outros amadurecerem a ideia...afinal somos todos mimalhos e muito saudosos dos braços que nos aninham. Somos piegas...e isso é defeito?  é ofensa?

 

 

 

Ofensa é a oposição distrair-nos com esta treta para que não apontemos o dedo, acusando  e chamando pelo nome os ladrões que se foram revezando e nos crucificaram durante trinta anos de roubalheira, oportunismo, regagofe financeiro e insanidade mental .

O que para mim é ultrajante, quase inqualificável é uma menina ter chamado três jovens e promissores  artistas para espancarem um professor de 63 anos que repreendeu a  "doutora" (de 12 ou 13 anos) que se passeia por uma escola de Gaia, brincando com os nossos impostos e com  quem quer saber mais.

Isto é talvez um defeito meu  mas, esta rapariguinha  ficava muito bem com um bom par de estalos.

Talvez fosse uma oportuna lição de moral e bons costumes .E estes "chefes de segurança" teriam muito lixo das ruas para varrer e talvez até as estrebarias do quartel do Carmo para limpar...Sem pieguices, sem ofensas  era o que mereciam estes cidadãos tão cheios de defeitos

Ofensa é esperarmos meses e meses por uma consulta ou um ato cirúrgico que nos obrigam a pagar, nos mesmos hospitais onde as freguesas vão fazer abortos rápidos, eficientes e gratuitos sempre que abrem as pernas ao gajo  que lhes aparece a prometer amor numa carteira ou num fim de semana chique .

 

 

Será que ainda se lembram daquele treinador brasileiro que arrastou o populacho para as bandeirinhas e que depois perdeu vergonhosamente com a Grécia?

Pois bem, quem pagou o ordenado chorudo desse “cara” foi a CGD ao dar-lhe o patrocínio. Foram rios e rios de € € que hoje dava para financiar muitas pequenas e médias empresas e dar trabalho a muita gente.

Culpados?

Os gestores da Caixa, gente da partidarite que teima em nos arruinar.

Isto é ofensa, isto é tratar os portugueses de asnos, atrasados mentais, imbecis...isto é insultar-nos, enquanto  silenciosos e, ordeiramente continuamos a  votar  nos Alibabás  e seus 40 mil ladrões.

 

 

 

O que me ofende é viver num país cheio de generais e almirantes e coronéis e marechais  e tenentes que, nos quartéis,  jogam xadrez, golfe fazem equitação nos cavalos que os burros sustentam e assim se preparam para a guerra de mosquitos que vem da  foz do Tejo, das avionetas com amigos que chegam da base da S. Jacinto e da vara que chegou do Alentejo para uma churrascada.

Meus senhores com coisas tão graves á nossa volta, será que mais  ou menos pieguice  é assunto para  perdermos tempo?

Sabem que mais? Estas mediocridades, estes nossos pequenos defeitos de fabrico, estas merdices… ofendem-me!

 

 

 

 

José Manuel Tavares Rebelo

 

 

A frase de PPC, dita a oito de fevereiro em Odivelas é, antes de mais, desrespeitosa para com o povo português, revelando, por parte de quem a pronunciou, um desprezo óbvio pelos sentimentos das pessoas.

Além disso, revela uma pose provocadora de quem se sente  acima dos problemas individuais.

 

 

Por outro lado, demonstra racismo e iliteracia por parte do primeiro-ministro: não há povos mais piegas ou menos piegas conforme a situação geográfica de cada país ou de cada raça. A pieguice, ou seja, o sentimentalismo extremado, afecta qualquer pessoa em maior ou menor grau, independentemente da sua nacionalidade ou raça.

 

 

 

 

 José Gonçalves (texto)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Gonçalves(texto)

 

 

 

(15-fev-12)

 

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